domingo, 27 de outubro de 2013

Tratamento de FIV à distância

Vou colocar um pouco da minha experiência sobre o tratamento de fertilização realizado à distância.

Moro em Brasília - DF e desde o meu primeiro tratamento em 2011 faço em SP. No início cheguei a ir na Verhum aqui em Brasília para uma consulta, não gostei do médico, senti que ele não me deu a atenção necessária, ficou a maior parte da consulta falando ao telefone, nos poucos instantes que me deu atenção, percebi que o mesmo queria apenas aumentar suas estatísticas de sucesso me oferecendo a ovorecepção, ele nem olhou os exames que eu já havia feito, queria a qualquer custo que eu aceitasse fazer a FIV com óvulos doados, apenas por minha idade, mesmo eu tendo óvulos viáveis para o tratamento. Eu já faço o tratamento com sêmen de doador anônimo, pois não tenho um companheiro, se fosse ter que usar óvulos também doados, preferia partir para o processo de adoção. Já vivi a maternidade durante nove meses, senti "o estar grávida", gerar uma vida. Para ter um filho que geneticamente não teria nada meu e da minha família, na minha concepção acho é mais viável adotar uma criança. Isso é uma questão muito pessoal.

Percebi também que Brasília é muito atrasada nas técnicas, aqui ainda se faz a biopsia embrionária no 3º dia do desenvolvimento, essa técnica é antiga e os riscos de perda do embrião são bem maiores que se fizermos a biopsia no 5º dia, quando o embrião esta na fase de blastócito. Aqui não se faz a injúria no endométrio, não é aplicado o hormônio no colo do útero horas antes da transferência, não se faz pesquisa de células NK no endométrio, dentre tantas novas descobertas para ajudar no sucesso do tratamento e ficarmos grávidas. Eu acredito que temos que nos cercar de tudo que pode nos ajudar a realizar nosso sonho. Por isso decidi em 2011 fazer o tratamento à distância em SP.

Na minha experiência o tratamento a distância tem sido tranquilo, me programo quanto ao mês da indução e ligo na clínica e comunico a assistente do Dr Arnaldo, ela prontamente me passa por e-mail toda a programação, dias dos ultrassons, dosagens hormonais e previsão de ida para SP para fazer a coleta. Claro que podem ocorrer imprevistos nessa programação, pois depende muito da resposta do nosso organismo, do crescimento dos folículos, pois basicamente é o tamanho deles que determinam nossa ida para SP. Correndo tudo dentro do programado, geralmente o Dr Arnaldo pede que estejamos lá cerca de 3 dias antes da coleta, até porque ele faz o último ultrassom na clinica.

Um ponto muito importante para nós que fazemos o tratamento a distância é o acompanhamento pelos ultrassons seriados, fazemos o primeiro no 3º dia da menstruação e estando tudo bem e liberado, iniciamos a indução e após esse inicio da medicação iremos fazer um ultra dia sim, dia não, para contagem dos folículos e medidas dos mesmos. Dessa forma é muito importante termos um bom médico que faça esses ultrassons.

Eu particularmente faço com um médico próximo do meu trabalho, chamado Dr Mutsuji, pois o mesmo é muito competente, detalhista, minucioso e mesmo não tenho vaga, consigo um encaixe sempre por volta de 7 horas da manhã, pois ele sabe que estou fazendo o tratamento. Conforme vou fazendo os exames aqui, logo em seguida já passo por e-mail o laudo, assim o Dr Arnaldo avalia e se for necessário alterar as doses dos indutores ele o faz e já me passa as novas alterações que tenho que seguir.

Conforme os resultados dos ultrassons é determinado o dia da minha partida para SP, compro a passagem, ultimamente tenho comprado somente a ida, pois se tiver algum imprevisto não tenho que ficar fazendo alteração, pois já me aconteceu de comprar passagem ida e volta promocional e perder as duas. Pois como havia dito, nossos folículos que determinam nossa partida e os meus dessa vez cresceram muito rápido, tive que ir pra SP no 8º dia da indução, foi uma correria, mas deu tudo certo.

A quantidade de dias em SP vai depender do seu protocolo e tratamento, geralmente eu fico cerca de 4 ou 5 dias, pois meu protocolo é o curto, primeiro induzo e bloqueio em seguida, vou para SP faço apenas a coleta e no dia seguinte retorno para Brasília, meus embriões são congelados no 3º dia do desenvolvimento.

Quando fiz a primeira tentativa em 2011 com a Drª Daniella, meu protocolo foi o longo, ou seja primeiro bloqueia e depois faz a indução, O protocolo longo durou cerca de quase um mês, mas claro que não fiquei esse tempo todo lá, quando fui iria ficar cerca de uns 12 dias, pois depois da coleta tinha o CGH dos embriões. Tive que esperar 6 dias após a coleta para saber o resultado do CGH e se fossem saudáveis iria fazer a transferência no 6º dia e depois ficaria em repouso 2 dias e só ai que voltaria para Brasília.

Quanto a hospedagem em SP, não tenho familiares lá e mesmo que tivesse prefiro ficar em um hotel mesmo. Todas as vezes que fui, fiquei hospedada no Paulista Garden, na Alameda Lorena, é um hotel simples, com diária a um preço acessível, com café da manhã, próximo da Avenida Paulista, Parque do Ibirapuera e do IPGO, é super bem localizado, com mercado próximo, restaurantes, vou a todos esses lugares caminhando. Eu gosto muito da localização do hotel, pois sempre saio para caminhar um pouco e distrair o pensamento, pois o tratamento em si é muito desgastante, estressante, ai saio dou uma volta, vejo gente e tiro um pouco o tratamento da cabeça.

Enfim o que posso dizer é que o tratamento a distância para mim tem sido tranquilo em relação ao acompanhamento do meu médico e da viagem propriamente dita. Em relação ao custo, diria que o que sai mais caro é que gastamos com passagens, hospedagens e alimentação. Mas o custo x beneficio vale a pena, pois o tratamento em SP é muito mais adiantado em relação a Brasilia, o valor do preço do tratamento em Brasília da última vez que vi era mais caro que em SP.

Espero que tenha ajudado um pouco com minha experiência em relação ao tratamento à distância, mas se ficou faltando algo é só deixar a pergunta que respondo.